sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Kryptonita (Sannio Carta)




Estava assentado sobre os meus calcanhares.


Por um momento pensei em rezar. Mas logo em seguida me voltei aos meus pensamentos.

Semana passada me sorriram. Daquele tipo de sorriso que tem ares de promessas.

Semana que vem.Talvez volte a ver seu sorriso.

Revelo aos presentes:

"Mais uma vez venho a falar das moças"!

Mas do quê mais eu posso falar?

É minha culpa ter nascido quase irresistível ao sexo oposto?

Não! Não é minha culpa!!

A culpa é de vocês... homens!

Tão grosseiros, indelicados, egoístas e péssimos amantes.

Talvez seja eu. A compensação do universo para com as mulheres.

Talvez seja eu o herói de cuecas, com a toalha de banho enrolada no pescoço.

"Para o alto e avante! E fora a disfunção erétil"!

Mas não é de todo perfeito a obra da criação.

Perfeitas são as histórias de finais felizes.

Bom... felizes para os heróis ao menos.

E todo herói que se preza.Tem o amor de uma "moçinha".

Irrestrito. Solene.

Ou deveria ser assim.

Mas toda boa moçinha.Tem dúvidas, medos e uma espécie de admiração que distorce o platonismo.

Fosse eu este "homem de aço". Escrito nessas poucas linhas.

Seria "ela". A tal moçinha.

Minha doce e letal criptonita.




quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Réquiem (Sannio C.)



Souberam do berço que lhe antecedia donde se originara o jovem senhor.


E tiveram ganas de postergar maiores opiniões. De esquecer o que já haviam "dito", do "dito".

Quiseram voltar ao tricô como se nada houvesse acontecido. Mas houve...

Houve denúncias graves, insinuações tenebrosas. E suspiros longos de desaprovação em massa.

Dentre as "bruxas fofoqueiras" uma ou outra voltou atrás nas reflexões recentemente levantadas.

E o alvo de tanto "disse e me disse" permanecia lá. Há apenas alguns metros de suas caluniadoras.

Seu semblante oferecia o mesmo desdém e tratamento gélido de sempre.

E seus olhos de castanho escuro, queimavam lentamente ao abrir e fechar de suas pálpebras.

Não fosse sua tão familiar e "amiga" ressaca sua reação talvez tivesse sido outra.

Mas o silêncio de seus lábios contrastava com o tremor de suas mãos, com a palidez de seu rosto com o pedido de ajuda que não saiu, com a música que cantarolava, minutos antes, com as costas dadas, pela última vez e com o adeus, que pareceu mentira.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Brutti, Sporchi e Cattivi (Sannio C.)


O que eu posso dizer sobre os anos setenta?



Com propriedade de experimentação prática... nada.


Eu não vivi os anos setenta. Bom... literalmente, eu os vivi. Vivi poucos anos, da minha infância de fraldas sujas.


Poucos anos, que pouco me ensinaram.


Poucos anos que em nada me deram de maturidade. E nem me ensinaram a limpar o meu próprio rabo, sozinho.


Certamente, que com o passar dos anos e das décadas. Muito me (nos) foi "desvendado" pela mídia. E por aqueles que nos colonizaram, inclusive culturalmente.


Soube (soubemos) dos manifestos, das tradições, das músicas. Mas particularmente, vivência dos mesmos, em sua grande maioria: necas!


E pelo que eu suponho, pouquíssimos leitores deste dileto blog viveram em tal época. Ou mesmo nasceram na década de setenta.


Encurtando o papo esquizofrênico.


Retorno ao blog. Para trazer uma luz na sala escura de cinema de suas mentes.


“Feios, Sujos e Malvados". Realizado em 1976. Ano este, em que eu apenas existia, nos pensamentos luxuriosos de meu pai. Não era eu, nem sequer um espermatozoide.


E o mundo ainda ansiava por uma criação brilhante. Algo inovador e belo.


Bem, tal criação ainda não se fez vindoura... Mas em "Brutti, Sporchi e Cattivi" de Ettero Scola. O mundo teve acesso ao oposto de suposta utopia.


É a sujeira saltando da tela. É a hipocrisia se contorcendo entre os santos de nossa santa igreja católica.


Filmada em Roma. A trama de Scolla relata a vida de uma família miserável. Em um pretenso solo santo.


Em uma terra de fé. Uma favela, entregue a própria, serve de pano de fundo, para uma família desestruturada, deselegante e despudoradamente "deliciosa".


Há outros personagens, outras pequenas historietas.


Mas, dentre estes pobres, sujos e malvados, ninguém se compara ao patriarca da família citada anteriormente, neste mesmo textículo.


Assistam. Ou digam "foda-se". Ou o que quiserem dizer...


Sorrirei então de suas rebeldias, sussurrando: "é esse o espírito"!


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mil Pedaços, Metaprax e Joe Buck" (Sannio Carta)


"Algumas mazelas desta vida de cão não tem remédio. Algumas nem mesmo tem solução. Por algum tempo procurei encontrar no passado algum caminho que me trouxesse felicidade. Em vez disto encontrei uma placa com o seguinte dizer: Não Ultrapasse. Bem coerente (eu achei)."


Estou jogando damas. Estou jogando mal. Despercebido de uma lógica razoável. É cedo. E eu já estou louco.

Meu adversário mais sincero me encara com o seu temor psicológico habitual. E eu complemento a encarada com ares de superioridade. É só pura vaidade. Eu sei disso. E ele também sabe!


A noite me faz promessas baratas. E minha atenção já busca a rua. Hoje eu quero sair só. Só quero sair e me livrar dessa cena monótona. Me libertar da "sistemática nerdiana" que hoje eu represento tão mal. Tudo é arte da porta pra fora. "Tudo é a arte do bacanal". Poderia ser uma frase dita pelo diretor da peça "Rebuceteio".


Vai dizer que você nunca ouviu falar do filme brasileiro: "Oh!Rebuceteio".

 E você ainda se diz "cinéfilo"? Você, no máximo, deve ser um "pedófilo"!


Filme de 1984, do afamado diretor brasileiro Cláudio Cunha (Diretor famoso. Caximbão. Todo fresco).

Próximo do surrealismo dessa existência. Foi a noite que narro a vocês em meio a pensamentos perdidos, feito filme italiano dos anos setenta.

Afastado o tabuleiro de damas de meus braços, saí a procurar outras damas à abraçar.

Nunca só, sempre um amigo a acompanhar meus passos. A inverter a atenção que necessito. A perceber o meu estado esquisito. E a disfarçar o mau gosto das minhas bazófias. Colega de serviço. Escudeiro escolhido pelo destino. Meu amigo (coitado).

Dancei por um tempo em um lugar de mau gosto. Saltitando como personagem andrógino de livro de RPG. Subtraindo os pares do esquecimento. E somando as conquistas do meu cartel. "Mais uma. Mais uma."

Gozo antes do sol. Calça suja de areia. Mulher no táxi. Tontura.

E outros amigos para caminhar na rua. Trazendo a diferença da tolerância. Pra trazer companhia, a quem dispensa a todas. Sorrisos na minha ingratidão. E tudo parece bossa de novo. Dentre eles havia esse amigo antigo me trazendo notícias de seu mundo. E eu percebendo a maturidade em crescimento em suas palavras. A postura impávida e orgulhosa. Querida e melancólica. Mostradora de respeito (apesar de um rebolar ou outro amais). Se afastando aos poucos. Indo embora. Na boa noite... uma noite boa... "Aaaahhhh!..."

quarta-feira, 20 de julho de 2011

VELHO SAFADO-FOREVER YOUNG (Tommy Wine Beer)




Tá se comparado ao Mendel que faz 189, eu nem saí das fraldas. Hoje completei 32!
Desculpem-me só que tô deveras saudosista hoje. Lembrei Mano Caetano!
Ah, aquelas minhas ereções de 10 anos atrás, eu tinha um verdadeiro guindaste, capaz de transportar uma toalha molhada por metros. E aquele esgicho de porra como era mais potente, de uns 50, 60 cms!
Porra 32: hérnias cretinas nas costas, dentes podres, pança engraçada, escrita esdrúxula!
E se aos 31 tinha a sensação de que a vida era um jogo de basquete impossível, e bolei aquela imagem cretina da bola que não cabe no aro.
Me ocorre agora que o amor é uma espécie de k.y sacana que permite que se converta os pontos.
Então valeu seus putos de sorte!
Bato continência pra um montão de gente então, em especial, minha querida vó Cecília, que se foi, mas tá sempre comigo em pensamento e amor que nunca esgotará, minha garota, linda, negra, divertida e inspiradora como as noites de verão e o meu pivete safado.
Ah, foda-se Mendel, nunca entendi a história das ervilhas e a tabelinha. Talvez meu cérebro seja uma ervilha.
Hoje é meu dia e como tô todo pimpão me permito delirar: Ah nada demais, só sou um velho safado-forever young!

terça-feira, 19 de julho de 2011

EXAME DE OB E A SALVAÇÃO (Tommy Wine Beer)






"Faz de conta que além da estrada torta uma rosa murcha e morta reviverá" (Zeca Baleiro)





E que stress filho-da-puta submetem o guerreiro nesse famigerado sacana exame de OB!
Primeiro pq. se gastou muita grana no curso. E aí tu te forma e fica marcando passo, chupando bala ... E roda por 3, 4 questões.
Hora da RESIGNAÇÃO! Como diz o Brown no rap "Mundo Mágico de ÓZ":
"Aí fudeu, fudeu, decepção essas hora... a depressão quer me pegar vou sair fora"
Hora de realizar um estudo mais reflexivo até a próxima prova. E praticar um pouco de INTERDISCIPLINARIEDADE: sexo, literatura, basquete...
Uns pitacos livres e néscios sobre arte então: bah, muito massa o filme novo do Woody que não é o Guthrie, mas que também tem uma arma que mata fascistas!
Não tinha gostado do "Wicky, Cristina e Barcelona", apesar do inesquecível beijo entre Scarlett Johansson e Penélope Cruz. Uau!
É que nem gosto muito de filmes pra ser mais sincero. Exceto pelos filmes sobre escritores e basquete. E esse Meia-Noite em Paris é muito do caralho!
Um escritor envolvido com Hollywood (quase um John Fante então né!) entra numa trip louca, volta no tempo e encontra seus ídolos literários: Hemingway (o velho barba de rato, como diria o Buk) e o Fitzgerald.
E depois de um mês na seca de literatura, tô atrás dos seguintes autores: Auster, Houellebecq e Roth (que não é o Celso Juarez). Antes vou tentar ler "Casais Trocados" do John Updike. O cara que, segundo um personagem do Norman Mailer em "Os Machões Não Dançam", fez a melhor descrição de uma XOXOTA de toda a história da Literatura.
Então salvem as crianças e os livros primeiro!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Uma Canção de Amor para Camus (Uéslei Screeth)









" A filosofia, ou melhor, o 'filosofear' e a morte, também, eis aí duas categorias deveras democráticas! Oh, pena não se poder dizer o mesmo do sexo e das bebidas!" (Tommy Wine Beer)







O que é humano é limitado, mas o que temos para acreditar que há algo além disso? Não temos para negar, mas também não temos nada concreto para acreditar. Fora disso o que há é esperança, e esperança é uma coisa humana, promessa dita ou subentendida, é a manifestação de um desejo acima de tudo. Desejo acima disso que nos põe desnorteados no mundo sem nos dizer por que nem para que, desejo de que tudo se esclareça. Não temos os instrumentos para responder, mas temos um espírito inflamado para perguntar. Temos pressa, a única prova da experiência é de que vamos morrer. Queremos muito viver. Aprendemos isso (o corpo sabe disso) antes de apreender a pensar. O primeiro impulso é viver, permanecer vivo, independentemente do porquê. O corpo diz "viver", e faz o que pode para isso. É o Espírito que pergunta "viver para que?" ou "o que é viver?". E pode se alucinar com o desespero e desistir da vida, ou se desvairar com a esperança e viver para além da vida, abdicando da própria vida única que efetivamente conhecemos.
 
 
Absurdo: Viver? Viver pelo prazer? Viver sem evocar o passado nem esperar o futuro, viver a única vida do presente contínuo. Viver ciente da dúvida e da morte, e, apesar de tudo, procurar o prazer? Quer dizer, esquecer o porquê e o para quê, aquilo sobre que não temos de onde tirar resposta. Penetrar apaixonadamente então em tudo que é dos nossos próprios limites, a condição humana em si. É o mesmo que dizer na aventura humana e nas paixões humanas, pois isto é completamente humano e nada mais que humano. Essa é a revolta absoluta contra a divindade que não é deus nenhum por não ser nada mais do que aquele "eu não sei". É o "eu não ligo". Mais não é o "não me importo", é o "não me interessa aquilo que não posso saber", é abdicação do que desconheço, e ao mesmo tempo empatia para com aquilo que, embora não seja eu mesmo, é da minha mesma natureza: a mulher que precisa vender corpo, o indivíduo que vive nas marquises por vergonha de voltar pra casa ....