segunda-feira, 9 de outubro de 2017



Céu de azul em abstinência 
Mantra de hard rock e punk 
Incenso de canela aceso 
Mito de iluminação 
Ruas tão feias e gigantes 
Corpos no chão 
Blocos de tijolos riscados, desenhados, pintados, descascados 
Sombras suicidas
Cicatrizes coloridas
Animais 
Reclusão 
Firmamento
Sacrifício 
Cor do teto
Solidão


Sannio



sábado, 11 de fevereiro de 2017

Das Dores (Hamilton Alex)


Para o meu irmão também em "dor": S.C.


Dor! Dor! Dor!
A inexorável dor!
A dor implacável!
A dor lancinante!
A dor insidiosa!
A dor pungente!
A dor reverencial!
A dor cretina!
A dor catársica!
A dor criadora!
A dor bêbada!
A dor metafísica!
A dor infame!
A dor psíquica!
A dor ortodôntica!
A dor miocárdica!
A dor encefálica!
A dor somática!
A dor cambiante!
A dor reificada!
A dor demiurgica!
A dor ontológica!
A dor epistêmica!
A dor alográfica!
A dor química!
A dor semântica!
A dor pueril!
A dor periférica!
A dor anímica!
A dor Alexiana!
A dor Hamiltoniana!
A dor Vieguiana!
A dor transfigurativa!
Engendre você também
A SUA DOR!

sábado, 10 de dezembro de 2016

Tentativa De Um Poema Dylaniano de Mal Dizer (Tommy Wine & Beer)



"valeu te ver com essa cara de cu / deus me perdoe mas eu gostei"( Apud canção Bem Feito do conjunto Litera)


Bob Dylan psicografando o futuro e você diz “e daí?”

Grafites denunciando a sordidez de sua classe e você fecha os olhos?!

Você perde tempo fazendo especulações metafísicas sobre o universo

Mas não perscruta o seu coração infinito

E eu nem sei ao certo se as águas do rio Jacuí correm para o Guaíba

Mas tenho certeza que os teus pensamentos não desembocam em mim.

Eu te quero cherry

Mas não sei por que!



O catador e o poeta marginal pacientemente

Fazem seu trabalho reciclando o lixo

Mas o teu pensamento é circular

Só girando em círculos restritos de gente sem graça.

Eu te quero chuchu

Mas não sei em que intensidade!



As pessoas dormem nas ruas como árvores

e você sequer paga seu aluguel

Ou urina num poste elétrico

Mas dessa boquinha de hálito de framboesa

Eclodem sentenças fasci

Eu te quero baby

Mas não sei para que!



Você está longe de ser uma centopéia humana

Mas só vive pra comprar sapatos!

O fato de eu só ter um único par velho lhe incomoda ok.

Pode crer que seu vocabulário reduzido também não é muito instigador!

Eu te quero gata

Mas não por tanto tempo assim!



Sim, uma pequena parte minha já esteve dentro de você

Mas você não está dentro de mim

Eu te quero honey


Te quero longe daqui.



sábado, 3 de dezembro de 2016

Família Tomiello (Tommy Wine & Beer)




I - Tomiello papai Na barbearia Sexta Às 19 Horas

Ângelo: “Passe a máquina, simplesmente man.”
Barbeiro sub-hipster: “Tem certeza? Tem uma CALVÍCIE substantiva aqui atrás.”
Ângelo: "E eu que sempre achei que isso era um REDEMOINHO, produto de meus pensamentos revoltos man!"
Barbeiro: "Me parece uma calvície considerável senhor!"
E um Bob Dylan imaginário segura um cartaz com a palavra ABORRECIMENTO.

II - Na Fronteira do Centro Histórico Com Cidade Baixa Quase Meia-Noite De Sexta

No Grand’s Bar. Depois de algumas rodadas de Antarctica Sub Zero de 5 pilas, Ângelo Tomiello, quase 40 anos, e seu garoto de quase 20:
Tomiello: “Tive uma VISÃO man! Uma fenda de calcinha que flutuava agora pelo ar! Você NÃO viu man?"
Jr.: "Não vi nada man."
Tomiello: "Mas eu tive uma visão...!"
Jr: "Diabos! E eu NÃO vi NADA man!"
Depois do delírio etílico, a despedida:
Tomiello: “Bom, estou indo pra casa. Acho que devia fazer o mesmo, mas como tu é um  bom F.D.P., então se vá e cuide bem do seu rabo, pra não ser assassinado e não decepcionar tua mãe e vós man.”.
Jr: Só.

III- Final Anti-Heróico

00:24 Ângelo Tomiello PAPI bateu uma meio bebum em homenagem a sua amada e depois dormiu e TEVE PESADELOS.
Ângelo Tomiello JÚNIOR EXISTENCIALIZOU SEUS PESADELOS na Cidade Baixa - e nem sob tortura este narrador informará que se trata de sua falta de sorte com garotas -, depois de mais alguns drinques foi para casa e às 2:69 homenageou a professora de Teoria do Direito Penal COMPLETAMENTE EMBRIAGADO e outrossim apagou.

domingo, 27 de novembro de 2016

Pequena História Romântica (Tommy Wine & Beer)


"cada vez mais descacetado da cabeça..." (Ventania)

I - Uma Trepada Para a Audiência E Uma Pista Introdutória De Dilema Fodinha Para Os Intelectuais

Aquela noite Bobi trepara de um modo aflito com sua companheira Ani.

Usou todos seus truques pra suplantar a angústia que poderia broxar seu coração e alma. O combo língua e barba deixava Ani com os mamilos de pau duro e a xoxota pantanosa sempre.

Quando terminaram ele fumou um pensamento: estava considerando deixar Ani, pois a amava demais para lhe colocar naquela fria que ele se metera!

II - Uma Biografia Flashbackzante De Bostica

Bobi, um tipo tímido. Eleito vereador! Tinha um senso ético guiado por padrões universalizantes de justiça. Metalúrgico. Dava duro pra pagar a faculdade de direito.

Organicamente alçado a líder sindical. Achava que o br tinha uma dívida social foda com seu povo. Um partido novo de esquerda lhe convidou a concorrer, ele topou. Agora uma excelência de porra nenhuma, vereador!

III - Desfecho Clichezístico A la Malhação Para Os Metidos A Besta Vomitar OU O DIA DA "POSSE"

No dia do ato de posse como vereador. Ainda em casa. Bobi se observava de terno junto ao espelho . De súbito tem um ataque nervoso de riso. Que merda pensou acho. A calça estava engraçada pelo volume na parte da frente. Bobi estava com uma incrível ereção galopante. Ele sempre tivera o pau grande é verdade. Mas nunca se vangloriou daquilo. Naquele ocasião o troço parecia ainda maior. Por isso ria nervosamente.

Naquele dia Bobi tomou posse. Tomou posse da sua vida e das estradas. Ele nunca mais foi visto na cidade de Porto Triste. O que se sabe é que comprou uma saveiro, um violão folk, umas revistinhas de cifras e escafedeu-se.

Parece que andava pelo Recife ou Patagônia. Claro, levou consigo sua velha bola de basquete e sua companheira Ani, até por que não era nenhum trouxa né véio!