sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

"Constrangida Confidência Íntima" (Sannio)

 


É fácil ser triste
Quando o seu time disputa a série B
É fácil ser melancólico quando não se tem mais prazer em riscar os carros ou andar com os punks 
Agora encontro conforto nos pingos d'água que caem do chuveiro e não no ato desatado de sequer tomar um banho
É fácil ser bisonho 
Quando a consciência distorcida
Me leva de encontro as amantes anteriores
E a preguiça não permite buscar por novos relacionamentos
É fácil ter desesperança 
Quando retorno aos mesmos empregos e serviços metódicos 
É fácil aceitar o mesmo ideal cristão 
Por ter medo do fim, por escolher acreditar em uma redenção 
Apesar dos vícios e manias irritantes e poder vislumbrar o alívio 
de um perdão fraterno
É fácil esquecer as aspirações iniciais e conformar-me com a trilha penumbra dos futuros passos
É fácil desculpar os tratamentos passados tendo em vista os próprios defeitos e instabilidades 
É difícil ser pequeno
No meio de tanta mediocridade
É tão fácil ser triste
Posto que a felicidade
É só um instante indivisível 
Sem ao menos ser percebido
Quando chega ou quando parte
É fácil por um ponto final
Quando canso das repetições 
É difícil renascer 
Sendo parido pelas mesmas mãos 

sábado, 10 de dezembro de 2016

Tentativa De Um Poema Dylaniano de Mal Dizer (Tommy Wine & Beer)



"valeu te ver com essa cara de cu / deus me perdoe mas eu gostei"( Apud canção Bem Feito do conjunto Litera)


Bob Dylan psicografando o futuro e você diz “e daí?”

Grafites denunciando a sordidez de sua classe e você fecha os olhos?!

Você perde tempo fazendo especulações metafísicas sobre o universo

Mas não perscruta o seu coração infinito

E eu nem sei ao certo se as águas do rio Jacuí correm para o Guaíba

Mas tenho certeza que os teus pensamentos não desembocam em mim.

Eu te quero cherry

Mas não sei por que!



O catador e o poeta marginal pacientemente

Fazem seu trabalho reciclando o lixo

Mas o teu pensamento é circular

Só girando em círculos restritos de gente sem graça.

Eu te quero chuchu

Mas não sei em que intensidade!



As pessoas dormem nas ruas como árvores

e você sequer paga seu aluguel

Ou urina num poste elétrico

Mas dessa boquinha de hálito de framboesa

Eclodem sentenças fasci

Eu te quero baby

Mas não sei para que!



Você está longe de ser uma centopéia humana

Mas só vive pra comprar sapatos!

O fato de eu só ter um único par velho lhe incomoda ok.

Pode crer que seu vocabulário reduzido também não é muito instigador!

Eu te quero gata

Mas não por tanto tempo assim!



Sim, uma pequena parte minha já esteve dentro de você

Mas você não está dentro de mim

Eu te quero honey


Te quero longe daqui.



domingo, 4 de dezembro de 2016

"Vazio Concreto" (Sannio)



Havia dito algo esquisito, sobre a jovem cocota procurar o pai. Procurar alguma redenção familiar e esquece-lo. Pareceu moralista. Algo que não lhe era muito comum. Pareceu também  pedir alguma  distância. Um abandono proposital. Nada que combinasse com ele. Nada que combinasse com a sua infindável necessidade de adoração.
Começou a queimar com todas as suas neuroses e paranoias . Frequentou uma  terapeuta por um tempo. Ficou sóbrio de vez enquanto os meses se acumulavam. Deixou crescer a barba que rapidamente tornou-se grisalha. 
Respondeu com humor e lacivia aos caracteres ansiosos de uma antiga amante. Escreveu um poema estranho que era simbiotico com a sua própria estranheza.
"Vento ribeirinho
Suspirar sorrido
Gemido em ritmo
Roçar de pêlos 
Púbis
Pentelho 
Apertar de branquidão 
Pressionar de angústias 
União de impossibilidades
Brevidade de objetos
Luminosidade e trevas
Sombra e sobreposição 
Gozo e malícia 
Entrega mentirosa
Devolução"
Trocou os cigarros mentolados por cigarros comuns. Dos mais comuns.
Olhou para os números de telefone na agenda. E voltou a olhar, diversas vezes.
Quis morrer. Quis dar sentido. Deixou pra lá. Fez a barba e contou os fios brancos que de tantos, o fez deitar.


sábado, 3 de dezembro de 2016

Família Tomiello (Tommy Wine & Beer)




I - Tomiello papai Na barbearia Sexta Às 19 Horas

Ângelo: “Passe a máquina, simplesmente man.”
Barbeiro sub-hipster: “Tem certeza? Tem uma CALVÍCIE substantiva aqui atrás.”
Ângelo: "E eu que sempre achei que isso era um REDEMOINHO, produto de meus pensamentos revoltos man!"
Barbeiro: "Me parece uma calvície considerável senhor!"
E um Bob Dylan imaginário segura um cartaz com a palavra ABORRECIMENTO.

II - Na Fronteira do Centro Histórico Com Cidade Baixa Quase Meia-Noite De Sexta

No Grand’s Bar. Depois de algumas rodadas de Antarctica Sub Zero de 5 pilas, Ângelo Tomiello, quase 40 anos, e seu garoto de quase 20:
Tomiello: “Tive uma VISÃO man! Uma fenda de calcinha que flutuava agora pelo ar! Você NÃO viu man?"
Jr.: "Não vi nada man."
Tomiello: "Mas eu tive uma visão...!"
Jr: "Diabos! E eu NÃO vi NADA man!"
Depois do delírio etílico, a despedida:
Tomiello: “Bom, estou indo pra casa. Acho que devia fazer o mesmo, mas como tu é um  bom F.D.P., então se vá e cuide bem do seu rabo, pra não ser assassinado e não decepcionar tua mãe e vós man.”.
Jr: Só.

III- Final Anti-Heróico

00:24 Ângelo Tomiello PAPI bateu uma meio bebum em homenagem a sua amada e depois dormiu e TEVE PESADELOS.
Ângelo Tomiello JÚNIOR EXISTENCIALIZOU SEUS PESADELOS na Cidade Baixa - e nem sob tortura este narrador informará que se trata de sua falta de sorte com garotas -, depois de mais alguns drinques foi para casa e às 2:69 homenageou a professora de Teoria do Direito Penal COMPLETAMENTE EMBRIAGADO e outrossim apagou.