domingo, 4 de dezembro de 2016

"Vazio Concreto" (Sannio)



Havia dito algo esquisito, sobre a jovem cocota procurar o pai. Procurar alguma redenção familiar e esquece-lo. Pareceu moralista. Algo que não lhe era muito comum. Pareceu também  pedir alguma  distância. Um abandono proposital. Nada que combinasse com ele. Nada que combinasse com a sua infindável necessidade de adoração.
Começou a queimar com todas as suas neuroses e paranoias . Frequentou uma  terapeuta por um tempo. Ficou sóbrio de vez enquanto os meses se acumulavam. Deixou crescer a barba que rapidamente tornou-se grisalha. 
Respondeu com humor e lacivia aos caracteres ansiosos de uma antiga amante. Escreveu um poema estranho que era simbiotico com a sua própria estranheza.
"Vento ribeirinho
Suspirar sorrido
Gemido em ritmo
Roçar de pêlos 
Púbis
Pentelho 
Apertar de branquidão 
Pressionar de angústias 
União de impossibilidades
Brevidade de objetos
Luminosidade e trevas
Sombra e sobreposição 
Gozo e malícia 
Entrega mentirosa
Devolução"
Trocou os cigarros mentolados por cigarros comuns. Dos mais comuns.
Olhou para os números de telefone na agenda. E voltou a olhar, diversas vezes.
Quis morrer. Quis dar sentido. Deixou pra lá. Fez a barba e contou os fios brancos que de tantos, o fez deitar.


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