sábado, 14 de março de 2009

ZECÃO (por texto: TOMMY WINE BEER; arte: TIAGO BIRD CASTRO)



Noite passada indagava eu um tão principal colaborador desse blog, Cremogema, a respeito desse HIATO referente a suas brilhantes aparições neste orgão da imprensa alternativa. Alegou problemas TEMPORAIS e LOGÍSTICOS. Ok, ENGOLI SECO sua opção profissional. Sempre foi um excêntrico esse ruivo mesmo, mas agora a preferir ser colega do LASIER em detrimento do HELL parece um tanto quanto demasiado!



Tratei de outro assunto para amenizar então: Steven Gerrard. Zidane, quiça o último do pedigree GÉRSON, DIDI, ADEMIR DA GUIA, declarou que na sua acepção Gerrard é o MELHOR DA ATUALIDADE. No meu juízo Zizou não está longe da verdade, ao lado de PIRLO e Xabi Alonso são os mais CEREBRAIS jogadores da (nem tão estusiasmante) atualidade. E muito provavelmente o capitão dos “REDS” seja o mais completo! Ocorre que meu amigo CREMOGEMA, um provocador, disparou uma frase que me jogou nas cordas:



“Pra mim o Kaká é melhor que o Gerrard!”



Sou um desafeto assumido de Kaká. Assim como do Radiohead e das dançarinas de axé music!
Fiquei SILENTE. Envolto em revoltos pensamentos em relação ao jogador Kaká. Quase um andrógeno. O bom moço! Rosto imberbe. Aura angelical. Incapaz de uma grosseria! UMA VERDADEIRA BICHOLA EM MINHA, TALVEZ, PRECONCEITUOSA OPINIÃO!



Dormi com aquele maldito Kaká e seu sorriso colgate em minha cabeça. Transportado ao UNIVERSO ONÍRICO me vi investido na condição de magnata do petróleo que descobri nos fundos de minha casa. Adquiri o GRÊMIO DE FOOTBALL PORTOALEGRENSE! E comecei a contratar atletas pro meu clube. Fiquei com o VICTOR, LÉO, RÉVER, MAGRÃO e o DOUGLAS COSTA o resto emprestei ao Zequinha. Trouxe o ZANETTI, MALDINI, ALONSO, GERRARD e MESSI. E a formação ficaria Victor, Zanetti, Léo, Rever e Maldini; Xabi, Magrão, Gerrard. Aí surgiu o impasse! Messi seria o meu ponta-esquerda. Por que os meus times jogam com três atacantes!: Dois pontas e um “centro-fogo”! Claro o RENATO PORTALUPPI foi o MAIOR que assisti. Tenho só 30 anos aviso. Então sentei ao lado do MURICY RAMALHO, o treinador que eu contratei e disse: Não existe um grande ponta-direita na atualidade com invergadura técnica pra usar a “7” do Grêmio! Nada disso vai servir pra porra nenhuma! E dei uma golada e tanto no meu uísque enquanto minha secretária a atriz MARIANA XIMENEZ já abria meu faicheclare. Muriçoca franziu a testa pensando agudamente. Ximenes acabou seu trabalho, com um bidoginho de leite sussurrou:



“Eu acho o Kaká tão fofo!”



Dei-lhe uma bofetada com a parte externa da mão e pedi que se retirasse da sala. Depois resolveria esse caso. Tinha o celular de GISÉLIE ITIE na minha agenda mesmo. E meu amigo Mutuca não andava numa boa fase e certamente “Mari” seria um bom LENITIVO para seus DISSABORES afetivos.



De súbito veio a ILUMINAÇÃO, eu mirava um quadro com a imagem do RENATO PORTALUPPI que meu pai havia me agraciado e disse:



“EUREKA, essa PUTINHA tem razão MURIÇOCA! O Kaká vai ser o meu CAMISA SETE! Vamos transformá-lo em um novo Renato!



Meu coach estava incrédulo, achou que era mais uma EMPULHAÇÃO de minha parte. Muricy é um grande admirador de Kaká, já havia me solicitado esse atleta inúmeras vezes, uma vez ele me apurrinhou tanto com essa história. Que fiz ele usar o TCHECO como ponta-de-lança pra castigá-lo, depois disso ele nunca mais havia tocado nesse assunto.



Então liguei pro GARÇA meu GERENTE de FUTEBOL e proferi a sentença seca:



“Contrate o Kaká, ofereça o RABO da sua mulher se for necessário”! e desliguei antes que ele dissesse qualquer coisa.



Kaká chegou 48 horas depois. Foi até minha sala usando um Giorgio Armani. Tive vontade de estrangulá-lo naquele instante. Mas não o fiz. Tinha planos melhores.



“Rapaz agora o senhor pertence ao GRÊMIO e vai ter que se adaptar a uma nova realidade. Primeiro, PROIBO o uso desse apelido delicado “Kaká” nesse clube, inclusive a imprensa já foi avisada! Apartir de agora o senhor vai se chamar ZECÃO! Isso mesmo ZECÃO! Bolei a idéia a partir do seu sobrenome IZECSON. SEGUNDO você vai deixar um BELO BIGODE crescer e vai ser PONTA-DIREITA aqui. Vai jogar em cima da RISCA rapaz! E com a camisa SETE! E acabou essa história de bíblia e Deus e o escambau! Tu é muito novo pra isso! Espera chegar aos 70 e daí te converte ao Deus que quiser. Entendido? (ele não moveu uma pestana) Agora se retire por favor!”



Zecão! Sim ZECÃO! Ponta-direita e com BIGODE! Ainda o fiz ler NIETSCHE e ouvir MATANZA! A conversão total a DEPRAVAÇÃO deu-se quando contratei o SÂNNIO e o HELL pra aconselharem o rapaz! Em poucos dias Kaká, opa, Zecão estava frequentando a “ZONA”! Tornou-se um putanheiro e tanto! Comeu quase toda Porto Alegre. Inclusive a minha “flor de azeviche” deixou-se seduzir pelo bigode e o mullet com sotaque castelhano de Zecão. Lá em casa proibi a audição de rock inglês e meninas de menos de 16 pra nega aprender uma lição! Ao meu atleta não impûs nenhum castigo. Perdoei-o, seguindo conselho de meu amigo Pico, que argumentou que em situação idêntica já perdoara diversos amigos, inclusive a mim.



Agora faltava o Centroavante, mas com Victor, Zanetti, Léo, Rever e Maldini; Xabi Alonso, Willian Magrão e Gerrard; Messi e ZECÃO o centroavante podia ser até o BADICO, o SANDRO SOTILI ou PETER CROUCH! Nem lembro trouxe o marfinense Drogba eu acho. Que fazia RODÍZIO com meu amigo (Jo)Celi no comando do ataque. Ganhamos tudo aquele ano e Zecão foi comparado ao Renato, e outros grandes jogadores de flanco direito como Tesourinha. Pena que o Garça, manager do clube, não pode acompanhar nosso triunfo no mundial da FIFA no ano seguinte, uma vez que se encontrava com um problema crônico no pau, uma PITORESCA nova espécie de gonorréia contraída através de coito com ursos de pelúcia.


IMPÉRIO - Renato HELL Albasini


Aqui no canto do Brasil temos a nossa rivalidade às vezes hilária; às vezes insana; às vezes doentia. Nesse ano do centenário do Sport Club Internacional vemos o arqui-rival disputando a Copa Santander Libertadores da América com uma penca de times/equipes/agremiações que não teriam condições de disputar o campeonato, nosso, gauchão com dignidade. A fragilidade dos times é bizarra. Uma patacoada. E vencê-los torna-se uma obrigação, nada mais do que um dever cumprido. Mas parece ser difícil pela facilidade.

O INTER também disputa uma competição que pode levá-lo de novo a disputar essa copa, ano que vem, sem sombra de dúvidas, os colorados se acostumaram a disputar um torneio, copa, campeonato internacional por ano desde de 2006. Esse ano termeos a Sul-Americana de novo, a Copa no Japão....
A história indica os percalços, mas também traz na memória recente as conquistas.

Sem sombra de qualquer bairrismo ou cegueira de torcedor, nós do Sul "mandamos" nesse cenário. Sim, continuo na torcida que o meu rival perca e saia fora da competição até porque meu time não jogara com ele para vencê-lo...Como disse fatos da história recente....

O Sport club Internacional já conseguiu um título fora dos campos quando foi homenageado por suas conquistas dentro dele através do Samba enredo da Escola Imperadores do Samba, os leões vermelhos sacudiram de ponta a ponta o Brasil, as Américas. Continuamos nossa senda de vitórias, Colorado das glórias, orgulho do Brasil....

sexta-feira, 13 de março de 2009

ATÉ APÉ NÓS IREMOS (por Tommy Wine Beer)


Existem coisas que só um gremista entende! Muito além do que acreditar em Deus ou no PT encontra-se o acto de torcer para o Grêmio: Dirigentes corruptos com segundas e terceiras intenções (políticas, narcísicas ou mercantis), um treinador pé frio e teimoso, um stopper pelo lado esquerdo varzeano, laterais nada mais do que esforçados e medianos, um camisa 10 sincrotímico e um centroavante técnico porém SENIL a ponto de já não possuir a VOLÚPIA de ir “PRA CIMA” dos becks. Nem de longe lembra o Pico, esse sim possui invencível volúpia em ir pra cima dos becks!
Ocorre que ontem (12/03/09) me flagrei com aquela cara de bobão, junto ao meu filho vibrando freneticamente ao derrotar o esquadrão do “Chicó”! Logo eu, um semi-ateu, um ex-petista! Um cara supostamente “super-racional” a ponto de achar que suas “paixões hobbísticas” se reduziam ao vinho e a cerveja.
Em 2007 matei quase todas minhas aulas de Processo Penal II, que era Quarta-feira, pra assistir o Grêmio na Libertadores, e deu no que deu. Duplo desapontamento! Mas não sei se resistirei a próxima vitória! Utopicamente direi ao minha garrafinha de Polar: “Rumo ao Tri”! Foda, lembrei de um verso do poema “Hora Absurda”, do Pessoa que diz: “NÃO É ALEGRIA NEM DOR ESSA DOR COM QUE ME ALEGRO”.

domingo, 1 de março de 2009

O BASQUETE É O MEU CIGARRO (por Tommy Wine Beer)


“A solidão é o meu cigarro” Zeca Baleiro



Desde muito cedo aquele objeto esférico exerceu grande influência sobre mim. Não interessava se sua constituição era couro animal, borracha, plástico, isopor ou meias-calça femininas. Meu fascínio por bolas era monumental! Às vezes a pelota só era esférica no meu juízo, uma vez que “ontologicamente” trata-se de uma garrafa ou lata de refrigerante.



Meus avós maternos moravam num sobrado velho, há uma quadra da orla do Guaíba, em Ipanema, e lá havia um pátio bem grande perfeito pra jogar bola! Só que tanto o Pablo, como o Sutiã ou o Cremogema não eram tão fominhas como eu que tinha a obsessão de jogar o dia inteiro até noite. E jogar futebol sozinho não era a coisa mais emocionante do mundo! Então eu ficava muito entediado, depois de fazer algumas séries de embaixadas ou de chutar a bola contra o muro por 10 minutos.



Lá por 1990 houve um natal entre tantos natais mágicos de minha infância que determinou muito do curso de minha vida. Lembro bem que na véspera da celebração cristã meu tio Marcelo veio jogando um “verde” comigo de que ele havia visto numa loja de esportes uma tabela de basquete pra vender e disse que seria bem bacana ter uma lá na casa da vó, querendo saber minha opinião a respeito daquilo ... não devo ter ficado tão empolgado na hora, mas achei legal a idéia.



Então na noite de natal eu recebi os presentes mais marcantes da minha vida: uma bola de basquete de couro de marca G12 e uma tabela KIT SPORT! No dia seguinte meu engenhoso avô Luis Carlos construiu uma estrutura de madeira para prender a tabela junto a uma árvore que havia no terreno de sua casa. Ali começaram meus treinos intermináveis de arremessos enquanto a tabela resistiu, depois passei a treinar na Gráfica.



A Gráfica é uma praça pública com ares bem melancólicos onde a maioria dos frequentadores não se desloca até lá pra fazer exercícios e sim pra consumir drogas. Minha mãe a chamava de “antro de marginais”. Só que como as coisas não andavam muito bem lá em casa na década de 90, eu procura passar o maior tempo possível nessa praça fazendo meus arremessos. Algumas vezes com meus amigos e colegas de time, mas na maioria do tempo sozinho. Além disso o interesse do resto dos rapazes se resumia em participar de partidas de basquetebol, e muito pouco em treinar lances e fintas como eu fazia religiosamente. E como eram infernais e deprimentes os dias em que chovia, em que eu era obrigado a ficar em casa!



Chegava a treinar algo como 10 ou até 12 horas por dia num silêncio semi- enlouquecedor. Pensava em muitas coisas enquanto jogava. Como, por exemplo, na razão que levava as garotas do bairro não se interessarem por mim, um atleta que bebia Novo Milk, e sim por idiotas que brincavam de skate e fumavam.



Muitas águas rolaram de lá pra cá, adquiri sobrepeso considerável, mas ainda hoje pego uma bola e treino meus jump’s por aí com a mesma cara de doido e olhos melancólicos de frustração.