quinta-feira, 3 de julho de 2014

"A Falácia Hermética & As Víúvas De Bukowski" (Sannio Carta)




"Quando partires e em teus olhos duas moedas de prata os selarem, saberás enfim que adentrarás na morada dos deuses."

Bonito, né? Não, não é. Foi apenas uma baboseira que eu acabei de inventar e escrevi aqui com o intento de chamar-lhes a atenção. Chamar a atenção não deveria ser nunca da vontade do escritor. Com exceção  dos poetas e ilustradores das portas dos banheiros de bar, que dão um charme artístico e noir aos minutos que acolhem o meu mijo e em casos esporádicos, alguma eventual cagada.
São todos estes, filhos teus que não fogem a luta e chamam de puta, toda profissional ou não, que privatiza a própria virilha, dentre outras partes, a alcatra, a maminha ou o coxão duro, por exemplo.
Leio com um silêncio perturbador aos novos pseudos poetas e os seus relatos hedonistas. E o tanto que apreciam a sensação de prazer que o baseado os proporciona, ou as linhas horizontais de seu pó, cheias de bicarbonato e farinha. Leio também os relatos rabuscados das crônicas luxuriosas destes tolos. E todas estas palavras soltas, hermeticamente alinhadas, com um português tão arcaico e ultrapassado que já nem é mais uma língua antiga. Chega a ser uma língua matusalênica. A um pé da profunda cova de alto estima destes machadistas das papilas gustativas mortas. Sim, porque não sentem o ridículo. Não saberiam ser ridículos, desprezados pela sociedade, ou invisíveis. Ao contrário, querem destacar-se pelas aventuras fantásticas dos seus sentimentos por eles mesmos.
Fico triste, com isso. Mandassem então um vídeo para o Big Brother, se querem ter seus dotes expostos. Tais dotes, que fingem não se importarem, mas frequentemente socam-se em academias, ou são bulímicos, anoréxicos, ou vivem trocando a cor  e o corte dos próprios cabelos.
Pior que estes, apenas os conselheiros, os moralistas de ocasião que querem fazer do leitor um filho. Indicando sempre que podem, algum escritor que mudou a sua vida.  Caras, foram às suas vidas que eles mudaram (tentaram, os coitados), ninguém ou quase ninguém está interessado no relato burguês da porra da sua vida.
Lambem o saco do Bukowski, mas são incapazes de se relacionar com uma prostituta longe do cabaret e das suas luzes vermelhas. Cagam-se de medo dos mal encarados do barzinho da moda que frequentam. Não sabem serem sequer miseráveis, ou toscos, rudes, quem dera: Profundos.
Irônico que Bukowsk tenha se tornado um dos escritores preferidos entre os universitários. Logo ele, que abandonou a faculdade e sendo assim, não se formou.
Dignos de pena. Tais escritores que julgam-se seguidores de Bukowisk.
Rá! Que piada.
Vergonhosos, todos eles. Mas pelos motivos errados.




terça-feira, 17 de junho de 2014

"Sim...Está Tendo Copa!" (Sannio Carta)

 



Estava lá, assistindo o jogo do Brasil.
- Você parece normal, as vezes. 
- Obrigado, eu acho. - respondi.
- O Marcelo ligou, hoje cedo. Queria saber se tu vai lá amanhã, jogar vídeo game e tals.
- Nãh!...Amanhã, vou ficar em casa, só, tomando uma ceva. 
- Mas vocês não fazem isso, lá? - perguntou a pequena. Adoro ela. Mas ela poderia calar a boca só um pouquinho. Ainda mais na hora do jogo da seleção.
- É...Mas aqui em casa eu posso ficar atirado no sofá.
- Não vejo a diferença!
- Faz pipoca? - disse, enquanto tentava recuperar o meu espaço no cobertor.
- Acabou.
- Puta merda!
Final do primeiro tempo.
- Vou no mercado. - Beijei-a no canto da boca e fui procurar os meus tênis(o único par).
- Traz chocolate?!...
- Trago.
- Ah....E passa na farmácia também. Eu acho que eu vou ficar menstruada. Sabe qual é o absorvente, né?
- Sei - e fiz uma cara de velório.
Com a porta entreaberta. Parei por um instante e disparei:
- Amor, se o Marcelo ligar de novo. Diz que eu vou ir!
- Eu não vou limpar teu vômito de novo...
- Tá. - mexendo na maçaneta.
- Não esquece o chocolate!- gritou. Enquanto a porta fechava-se gentilmente às minhas costas.






quinta-feira, 5 de junho de 2014

Criolo E Seu Nó Na Orelha (Tommy Wine & Beer)



Há tempos um artista não despertava em mim tanta empatia. Pelo contrário. Em regra a obra é boa e o autor um mala, um metido ou esnobe. Com Criolo é diferente! 
Primeiro me apaixonei por sua pessoa. Sua humildade e simpatia. Depois vieram as canções! As letras nem parecem tão boas assim sempre (registre-se: Não Existe Amor Em SP é sua obra-prima, um belíssimo poema!), mas são cantadas do fundo de sua alma sensível e nos tocam de verdade.
Lázaro Ramos cantou a pedra ao afirmar que o show de Criolo tem uma coisa ecumênica ou religiosa, e é isso: Criolo é um profeta do amor, da solidariedade, da humildade.
E como um filósofo humanista e/ou um advogado (de advogar, falar em nome de) de Jesus ele diz aos brasileiros, cristãos por osmose, o que é ser cristão, em coisas como: "as pessoas não são más, mano, elas estão perdidas, ainda há tempo...".
Isso numa sociedade dos usuários fasci-book que postam e curtem e fazem apologia do crime cometido com as próprias mãos. A lógica é a seguinte: assassine o criminoso e se torne tão errado ou pior que ele!
Criolo (Doido? Não mais e em muitas coisas ele é mais racional que os incomparáveis Racionais) NÃO pode parar de rimar até nos dar um nó na orelha.

"Desigual" (Tommy Wine Beer)

                                      

"Não é nossa culpa/ Nascemos já com uma benção/ Mas isso não é desculpa/ Pela má distribuição"
                                            (Até Quando Esperar - Plebe Rude)


Hoje eu tava lendo um trecho do Dom Quixote, no qual o Sancho contava a história de um agricultor que foi a casa de um homem rico. E quando foram sentar a mesa, começaram a discutir sobre quem sentaria a cabeceira.
O rico insistia que o pobre ficasse nela. E o pobre dizia que era lugar do rico. De repente o rico forçou o pobre a sentar na cadeira e disse: " Pois sendo eu o dono dessa cadeira e mesa, onde eu sentar fica sendo a cabeceira!"

segunda-feira, 2 de junho de 2014

"This Is My Message To You" (Tommy Wine Beer)

                             
                                     



Tá frio e eu tô atrasado, mas vamos lá. Fazer mil vezes melhor!
Cumprimentar o desconhecido(também o teu irmão).
Vamos fazer desse PIB(inho) um PIBÃO!
Cidadania! Ao invés de jogar lixo no chão, ajude a recolhe-lo.
Café quente, uma música para encorajar o espírito.
Os estudantes tem que fazer melhor, aprender a valer, para superar o professor. Senão o trabalho dele de nada vale.
Quem vai trampar, tem de fazer melhor, com a mesma raça que você cobra do seu time de futebol.
Vamos ler, escutar, aprender e viver. Pensar dez vezes antes de cometer uma indelicadeza.
E eu estou aqui e com vocês.
Em pensamento, juntos.