sábado, 31 de maio de 2014

"A Mulher Má" (Sannio Carta)

                                   



Poderia escrever sobre as mesmices e as esquisitices comuns que vejo sempre
Os cigarros mentolados, o álbum branco dos Beatles, o meretrício de belas putas
Todas as coisas superficiais e dispendiosas, que para mim, não fazem o menor sentido
Uma foto fazendo beicinho, uma citação sobre algum vinho, ou algo bobo sobre afeição, ou um despolido carinho
Afogado em tantos clichês odiosos, só agora  percebidos, de como a vida é repleta deles
Como aquele "shiihhh", antes do beijo
Já foi tão dito e sussurrado tantas vezes
Acotovelando o tempo em sua caminhada arrastada
Ainda assisto, quem não encontrou algum sentido em seu mundo marginal
Apenas deita os ouvidos sobre o travesseiro
Critica as paixões, supõe algum amor, recita poemas eróticos e vomita lições tolas e desaprendidas
Distribuídas todas em veículos, tais versículos, dos retalhos da sua própria vida
Retalhos não, estilhaços!
Pois só oferece aos espectadores os cacos do que julga bonito em si mesma
Privando-nos de sua essência alcoólica
Mostrando-nos apenas o pré porre
O pré amor
O ensaio que ninguém pediu
O assédio que preteriu que tivessem investido
Só para poder defender a sua tese feminista
Seu amontilhado de bosta filosófica não diplomada
Que ninguém ao menos sequer requisitou
E se tiveram por ela um pensamento lascivo 
Não foi por mal, houve contudo, até certo grau de inocência
Pois se soubessem eles, como ela é neurótica, egoísta, infantil , infiel e desajustada
Não teriam tido nem por um segundo
A vontade de comê-la 

2 comentários:

pretissima disse...

INCRIVEL! ADOREY!!!

pretissima disse...

qualquer Coincidência
é mera semelhança