sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Nei de POA: pra se AUSCULTAR! (por Tommy Wine Beer)


O Nei Lisboa é na real o Nei de POA. O sotaque diz tudo! Bom Fim. Cidade Baixa. A barriguinha de ceva e de xis. O tipo tímido e até melancólico (e quando bebe quer comer todo mundo): O véio é o protótipo do portoalegrense!

E eu fico puto & consternado pela condição do Nei não ser tão conhecido além das fronteiras do rincão gaúcho!

O Nei é mais foda que o Herbert Viana por exemplo!

Tratarei agora de apontar algumas das razões de seu, ao menos aparente, “exílio artístico”.

Nosso intrépido herói já começou a se ferrar quando nasceu num país que não tem o idioma inglês como língua oficial, pra fazer música pop e/ou rock o cara fica mais incomunicável que o Fernandinho Beira-Mar se não canta em inglês (comparação bisonha!).

Outra: a questão geográfica. Mora em POA! Fora do eixo Rio-Sampa.

Ele não segue o padrão de beleza! Parece um bebê rexonxudinho! Já ouvi da boca de um mal-feitor o trocadilho “Nei Leitão”.



Não posa de tristonho como o Thom Yorque. Mas as sargetas da Osvaldo conhecem seu vômito e suas lágrimas. E como conhecem!

Entretanto, ele receberia uma chance:

A história conta que ele ia estourar nacionalmente. Ia gravar com uma grande gravadora! Ia ter até uma canção na novelinha da Globo! É!

O lance era que teria que gravar uma versão EM VERNÁCULO de “Hey Jude”, dos “BITOUL’S”.

Aí veio o "gênio" do compositor rebelde que ATÉ faz concessões, mas nem tanto assim... a versão era ruim, ou cafona, sei lá eu não sei, sou tão-somente um jornalista-charlatão como tantos que pululam pelas redações desta nação.

E o pior que quem ficou com a vaga foi o Kiko Zambianchi.

Pois é! E a canção foi parar na novela! E o Kiko onde tá hoje? No seu devido lugar. No esquecimento! Quase todos nós iremos pra lá, nem é tão ruim assim Kikinho! Pois “só chove, choviiiiiiiiiiiiiiiiii!” Né?!

Na real que se foda o resto do mundo. Deixa o Nei morando, compondo e se apresentando aqui!
Por que o cara é um LETRISTA mui PORRETA!!!

Capacitado a escrever versos de um humor REFINADÉRRIMO como em Babalú!:

“E sempre quando eu volto ao normal
Compreendo que o amor é traiçoeiro
Jamais esquecerei dos seus cabelos
Cachos e novelos
Entupindo o ralo do chuveiro”


(P.S - Sem falar em “Síndrome de Abstinência”, onde, reza a lenda, ele faz uma brincadeira muito criativa com a falta de cannabis em POA nos anos 80. Que sacada! Eu nunca tinha entendido aquela letra hehehe! Imagina se eu fumasse!)



OU de uma ferina ironia ALBASIANA retratada na canção “Hein?!”:

Meu amigo, a felicidade move a fé
Por que ninguém quer dar
Ao povo uma colher?

Meu amigo, a felicidade é um ovo em pé
Por que ninguém quer dar ao povo
O que ele quer?

Ou absolutamente CATÁRTICOS como em “Baladas”:

“Oh, mana
Não vale a pena pagar
Um centavo, um retalho de prazer
Oh, mana
Eu quero é morrer
Bem velhinho, assim, sozinho
Ali, bebendo um vinho
E olhando a bunda de alguém”


Mais do que escutado o Nei e os seus Discos são para serem AUSCULTADOS. E segundo o amansa-burros "auscultar" é: 2. Examinar com atenção, inquirir, procurar conhecer, sondar.

2 comentários:

Renato "Hell" Albasini disse...

Lisonjeado pela ilustríssima aparição Albasiana...

Raphaela Flores disse...

E essa então?

"E depois da meia-noite
A fauna ensandecida do Ocidente
Digitando em frente ao Metropol"

Berlim Bonfim!